Emburrecemos
como nação, quando acatamos mentiras que matam a possibilidade já frágil da
verdade. Quando nos omitimos com as mazelas da grande maioria, desprezadas pela
força do capital.
Emburrecemos
quando deixamos de mergulhar nos labirintos da leitura, quando esquecemos a
importância da história na construção do presente e no desenho do futuro.
Emburrecemos
quando deixamos difamarem em praça pública, grandes educadores, responsáveis pela transformação de
analfabetos em letrados. Quando tentamos anular a beleza de um Paulo Freire e
de Rubem Alves.
Emburrecemos
quando perdemos a oportunidade de repensarmos o machismo, o preconceito, a discriminação com a verdade alheia.
Emburrecemos
quando não respeitamos o lugar de fala do outro, quando afogamos a nossa
existência já rasa, no ódio às diferenças.
Emburrecemos
muito quando utilizamos a ideia de Deus para comungar em causa própria.
Emburremos
quando apoiamos ideias fascistas e reacionárias. Quando matamos lentamente a
esperança num futuro justo pra grande maioria.
Emburrecemos
muito todo dia, e nos deixamos levar pela lama que não derramou somente em Minas, pela lama que derrama todo dia em nosso país, pela perda do
diálogo, pela falta do respeito, pela morte lenta da democracia, pela morte
lenta do respeito aos estudiosos da ciência.
Emburremos no aceite aos absurdos disseminados nas redes sociais e na nossa
falta de escrúpulo no compartilhamento dos mesmos.
Emburremos
quando não dialogamos com nossos pais já cansados, vítimas dessas fake news e suas
canalhices.
Envelhecemos
muito com a apartheid,
com o ódio, com o aplauso insano aos homens que vomitam rancor.
Emburrecemos todo dia lentamente, quando
deixamos de comungar com a verdade, doa a quem doer, quando deixamos de lado
nossa solidariedade, nosso amor, nossa capacidade de melhorarmos como sociedade
e como indivíduos, quando entregarmos de mãos beijadas toda a nossa riqueza ao
capital estrangeiro.
Emburrecemos quando apoiamos torturados, quando
aplaudimos a violência gerada sobre minorias já esquartejadas pelos
absurdos cometidos pelo Estado.
Emburrecemos quando aceitamos pacificamente a tudo
isso, e nos tornamos cúmplices do ódio, da burrice, da mentiras que, de tão repetida, toma
corpo da verdade.
“E preciso estar atento e forte”.
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